segunda-feira, novembro 06, 2006

Despenalização do aborto

Tema do mês (Novembro 2006)








A considerar:

artº 140º Cod. Penal- Aborto:

nº 1 - Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.

nº 2 - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão até 3 anos.

nº 3 - A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.


artº 142º Cod. Penal- Interrupção da gravidez não punível:

nº1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:

a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;

b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;

c) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de doença grave ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo.

d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.


nº2 - A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada em atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.

nº3 - (...) ; nº4 - (...) .


---

Tribunal Constitucional aprova a pergunta do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, aprovada em Outubro no Parlamento - “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” - por maioria ( 7 votos contra 6 ). O anúncio da aprovação foi feito pela juíza relatora do acórdão, Maria Fernanda Palma.

  • O Presidente da República, Cavaco Silva, anunciou a sua decisão de convocar o referendo sobre a despenalização voluntária da gravidez para 11 de Fevereiro de 2007.

  • Um estudo da Eurosondagem para a SIC, Expresso e Rádio Renascença aponta para um empate técnico no referendo sobre o aborto: 42,5 por cento para o «NÃO» e 45,4 por cento para o «SIM» .
(A sondagem foi realizada entre os dias 9 e 13 de Outubro e 16 e 17 de Outubro. Foram efectuadas 1033 entrevistas validadas a maiores de 18 anos residentes em Portugal continental. Erro máximo da amostra é de 3,05 por cento para um grau de probabilidade de 95 por cento.)


Comente:

Se sim, porquê?

Se não, porquê?

28 comentários:

Anónimo disse...

Sinceramente, ainda tou um pouco confusa nesse tema... por um lado, se o aborto for feito previamente nos 3 primeiros meses (antes de o feto estar formado) e se apresentar por exemplo mal formações cogénitas, nestes casos sempre se pode abrir uma excepção mas no fundo tenho sempre aquela sensação que é um ser vivo, humano que se esta a formar e tem direito á vida como qualquer um!! É um assunto que aborda um conjunto de realidades e situações, todas ligadas e regidas pela moral e ética!! Agora cada um é como cada qual, com autonomia sobre as suas decisões... agora espera-se k estas decisãoes estejam sempre em conta uma unica e simples situação: esta-se a "falar" de um ser vivo!!

Anónimo disse...

bem,este é sem dúvida um assunto muito polémico pois como já foi dito aqui, envolve decisões muito importantes sobre a VIDA..no entanto a minha opinião divide-se um pouco..por um lado penso que as situações mais problemáticas já estão contempladas na actual lei,por outro o aborto vai continuar a existir legal ou ilegalmente, desde que as pessoas o queiram realizar..assim se fosse despenalizado talvez houvessem menos pessoas a morrer no decorrer do acto em si e menos pessoas a abusar (monetariamente) de outras cuja decisão foi essa..no entanto temo que ao haver a tão falada despenalização, o aborto se torne numa banalidade que passe a ser utilizado sem qualquer controle, tornando-se erradamente numa solução para variados "descuidos".. Assim,pesando os prós e contras, penso que a lei actual já abrange o necessário, nomeadamente para os casos de violação e risco para o feto ou para a mãe..

Anónimo disse...

Cara Andreia,se é verdade que os seres com malformações têm direito
à vida,não será menos verdade que os seres frutos de violação também o têm, não concordas? Afinal que culpa tem aquele ser vivo da situação em que foi concebido? È evidente que uma mulher nestas circunstâncias tem todo o direito de não querer este filho, não me venham é com o argumento do direito á vida e depois esse direito ser só para alguns. Afinal somos todos filhos de Deus! Ou não?

HF disse...

Viva!

Em primeiro lugar, quero dar os meus parabéns ao Tiago pela excelente iniciativa. O tema do blog promete, e o conteúdo parece não ficar atrás!

Conta comigo para divulgar este espaço e para outras dicas que precises.

Abraço!

HF disse...

Quanto ao tema deste mês... e após uma leitura atenta dos artigos do código penal referente ao Aborto, acabei por reforçar a minha opinião.

Considero que a lei já prevê os casos suficientes para a realização do aborto. Por isso, quando me confrontar com um eventual referendo acerca da despenalização desse acto que certamente deixará marcas psicológicas inimagináveis, a minha resposta será não. Não porque queira ver ninguém atrás das grades, mas porque a vida tem um valor incalculável. Tenho algum receio que a "despenalização da interrupção voluntária da gravidez" passasse a ser um novo "método contraceptivo", vejam o que, actualmente, acontece com a pílula do dia seguinte.

No entanto, esta é apenas a minha opinião, a de um mero cidadão com o direito a um único voto num universo de quase 9.000.000. Não encaro esta questão como uma guerra entre um simples sim ou não, muito menos entre o bem e o mal.
Gosto de ouvir as opiniões contrárias no sentido de perceber os casos (que possivelmente existirão) onde a lei actual não basta.

--
Henrique Fernandes

Anónimo disse...

Poderia ter-se poupado a si, e a todos nós o discurdo juridico,acho ate muito curioso que no primeiro post se apresente como catolica e fale como tal e no seguinte ja apareça numa postura altamente vinculada as leis.
Estamos a discutir muito mais que leis. Nao me ensina nada quando fala em violaçao da integridade fisica e moral das pessoas, se quiser posso falar-lhe disso num nivel mais profundo e num discurso psicologico. De integridade humana e de saude mental percebo eu bem.
Noto que, nao so nao emiti ainda a minha opiniao acerca deste assunto, como tambem nao discordei da sua opiniao, alias respeito-a como a qualquer outra. Apenas lhe fiz ver que o argumento do direito a vida tem de ser melhor utilizado. Todo e qualquer ser vivo tem direito a vida. È isso que importa. Lamento, mas talvez tambem por defeito profissional, aprendi que desde o momento da concepçao estamos perante um ser vivo, com potencial fisico e psicologico. Todos, de igual forma.

Anónimo disse...

Sabiam que a prática de um aborto acarreta inúmeras vezes sequelas irreversíveis quer a nível físico, quer psicológico, para quem o pratica? Pretendo apenas chamar a atenção para outros problemas que advêm da pratica do aborto.
Se sou a favor ou contra.... não sei! A vida ensinou-me que é muito fácil decidir e julgar os outros, o mesmo não acontece quando somos nós que nos encontramos no centro da acção. Felizmente, nunca tive de colocar a mim mesma essa questão em termos práticos e dentro dos possíveis, tudo faço para que esse dia não chegue. Compreendo (como já foi aqui referido) que se legalizassem a pratica do aborto acabariam com toda a parte obscura envolvente, embora houvesse o risco da sua utilização em exagero - mas isto é um problema de cultura! Poder-se-ía falar de bom senso, mas também não é esse o ponto de discussão.....

Anónimo disse...

eu corro o risco de deixar alguns de vocês algo chocados mas..eu sou efectivamente a favor da despenalização do aborto..não considero que as "leis" éticas se apliquem a algo tão pouco significante como um pseudo-embriao de 10 semanas em gestação no utero materno...não comreendo tambem porque é que esta questão levanta tanta polemica uma vez que fazer ou não aborto devia ser uma decisão que apenas á mãe diria respeito...como é que se pode considerar um crime a remoção de um embrião humano até por volta das 10 semanas? acho absurdo...para isso poder ser considerado um crime teriamos que rever toda a nossa etica envolvente desde o mais mesquinho acto até ao mais complexo...
humm...

Anónimo disse...

aposto que estão todos a odiar-me agora não é...? lol

Anónimo disse...

ok andreia lol as opinioes valem o que valem mas umas estão certas e outras consequentemente erradas...e eu continuo plenamente fixo nas minhas convições e não considero que alguem tenha até agora colocado um argumento suficientemente forte para suportar o apoio á não legalização da despenalização da interrupção voluntaria de gravidez.....alem disso é inconcebivel comparar um bebé com um embrião humano...não dá, apesar de toda a gente chamar bebé ao que se desenvolve no utero desde o primeiro momento..oh..sei lá..wateva...

Anónimo disse...

Engraçado, pereceu-me que fundamentava a sua opinião na sua crença religiosa.

HF disse...

Viva!

Parece que finalmente surge o inevitável confronto entre o sim e o não :)

A minha opinião é conhecida, mas infelizmente, continuo sem resposta no que toca aos motivos que podem levar uma pessoa a preferir não ter um filho que gerou como fruto de uma relação que pode ter uma consequência bem conhecida.

Ás vezes penso no que teria acontecido a muitos de nós, se há alguns anos atrás a prática do aborto fosse vista como algo tão banal como se pretende agora. Provavelmente, alguns de nós não estaríamos aqui!

"Noto que, nao so nao emiti ainda a minha opiniao acerca deste assunto, como tambem nao discordei da sua opiniao..."
Isto significa que é contra a despenalização?

Abraço :)

PA disse...

A propósito do referendo ao aborto (mais do que da ivg propriamente dita) decidi deixar a minha posição no meu blogue... em http://meumoleskine.blogspot.com/2006/11/das-ivgs-e-outros-abortos.html

PA disse...

Cintando um cometário anterior que diz "ok andreia lol as opinioes valem o que valem mas umas estão certas e outras consequentemente erradas...", seria engraçado abordarmos o tema da tolerância. De facto há opiniões certas e opiniões erradas. Mas o que faz duma opinião ser certa ou errada é a nossa concordância ou não com ela, certo?
Como as coisas são tão difusas e às vezes tropeçamos na nossa própria linguagem...

Anónimo disse...

ola a todos!
este é, de facto, um tema complexo e que gera discussões acesas.
eu defendo a vida. não sei se vou conseguir expressar de maneira esclarecedora a minha opinião, mas vou tentar...
penso que os políticos e todos nós deviamos trabalhar no sentido de educar os jovens, há que transmitir valores, há que ser responsável, recto e humano.
porque não incentivar a criação e manutenção de instituições que acolhem as futuras mães, onde estas, se abandonadas pela familia e pelo pai da criança, encontrem apoio psicológico e sejam ajudadas a encontar um rumo para a sua vida...
pois, a questão do pai era outra que eu queria introduzir. não me cabe na cabeça porque se fala apenas da mulher nesta situação. afinal a responsabilidade é dos dois. ambos têm que a assumir.
tenho muito medo naquilo em que se poderá transformar a sociedade se optarmos sempre por aquilo que parece mais facil e cómodo.

um bjinho Tiago, e parabéns pela iniciativa!

JR disse...

Conscientemente, seria puro egoismo julgar as escolhas dos outros quando o Homem foi criado com Livre-arbítrio, para no fundo poder fazer as suas próprias escolhas e ao mesmo tempo auto-condenar-se por elas...

Como disse ao meu amigo Henrique, considero a questão do aborto perceptível através vértices do triangulo da mãe, do novo ser e da moral.

A moral, será a escolha espiritual, admitindo que cada um de nós escolhe o caminho a percorrer neste mundo e nasce com uma missão de ser aquilo para o qual se sente predestinado.

Assim, as nossas escolhas vão traçar o nosso percurso no caminho da vida e só nós poderemos mudá-lo.

A mãe, usa o seu poder de escolha dos seus principios, prioridades, e ela sim, decide. Mas decide por todos os três prismas...

E o bebé? Ainda não nasceu e nem chegou a ter a sua oportunidade de vir ao mundo para cumprir a missão a que estaria predestinado.

Se nada acontece por acaso, se todos temos uma razão de existir, uma maneira especial de ser, se todos nos distinguimos e temos um propósito, o que acontece aquele ser que impedimos de nascer?

PARA ONDE VAI AQUELE SER? Se somos humanos e temos algo mais do que os animais, se lhe chamam alma alguns, para onde vai se neste mundo não a deixamos ficar?

Mesmo que seja DIFERENTE, qual é o conceito de normalidade?
Talvez um nível de QI? Capacidade para correr ou saltar? Tirar uma licenciatura e saber atravessar a estrada sózinho?

Ou será ter um coração que bate? Sentir e saber amar? Mas poderá amar aquele que não é igual a ti?

Abortar é uma opção pessoal, não escolha forçada por razões que insistimos em dar a nós próprios!

Julgar quem o faz, já disse, só quem o fez se poderá julgar a si próprio...

Anónimo disse...

Exactamente cara Andreia, então não sejamos levianos nos argumentos que usamos. Julgo não estar enganada, mas segundo sei a sua religião defende que é Deus que dá a vida e que só ele a pode tirar. Como pode então defender o aborto, mesmo que em casos extremos? É acerca disso que debato desde o principio.

Anónimo disse...

Não Henrique, sou a favor. Apenas não consigo conceber que quando se fala no direito à vida nao se comtemplem todos os seres vivos.

Carvalhão disse...

Há uma coisa que eu acho deliciosa nestas discussões.

Existem sempre dois grupos no que toca à despenalização: os a favor e os contra.

O a favor, querem que o aborto seja despenalizado para que quem deseje abortar possa fazê-lo em condições humanas e, quem não o deseje, possa igualmente não o fazer.

Os contra, querem que todos os que não concordam com eles sejam considerados criminosos.

Esta não é uma discussão entre pessoas com opiniões diferentes sobre o aborto. É uma discussão entre a tolerância e a intolerância.

Eu escolho a liberdade e a tolerância.

PA disse...

Para o Sr. Carvalhão:
Acho que é um bocado grosseiro da sua parte dizer que "Os contra, querem que todos os que não concordam com eles sejam considerados criminosos". Talvez não perceba bem o seu (dos do contra) ponto de vista. Penso que deve ler melhor os comentários que estão aqui... para não fazer interpretações injustas.

E acrescento: a Igreja, verdadeira Igreja, à imagem de Deus, não incrimina, perdoa, rejeita o pecado, mas acolhe o pecador... aqui já iríamos entrar no campo da teologia e não do legalismo.

Carvalhão disse...

A verdadeira igreja, aquela secular que foi fundada por S. Pedro, mata, viola, castiga, e repudia todos aqueles que não seguem à risca a conduta que esta delibera como sendo a correcta, só para uns séculos mais tarde se retractar, pedir desculpas e impôr uma nova ideologia castradora. Foi assim no passado, é assim nos dias que correm, como se pode observar pelas acções (promessa de excomunhão para as testemunhas de acusação contra padres em processos de pedofilia) e posições (islamismo=terrorismo) assumidas pelo senhor que actualmente se senta no "trono de S. Pedro".

Quanto a se esta é ou não a igreja à imagem de Deus, eu não sei. E calculo que o senhor também não saiba, a menos que queira insinuar que toda a igreja que não vai de encontro à SUA imagem de Deus não é a "verdadeira igreja à imagem de Deus". Aliás, se vamos a levar as palavras de Cristo à risca, todos somos iguais perante Deus, todos falamos com ele e, como tal, a igreja de Deus não seria uma instituição mas sim algo que cada ser humano traria consigo.

Eu prefiro ver o mundo à imagem do Homem e não impôr as minhas ideias ou vontade a quem quer que seja.

Pessoalmente, acredito que o aborto é um acto, no mínimo, desagradável. Só não me sinto no direito de, por eu ter essa opinião, impedir quem deseje realizar um aborto de o fazer de uma forma humana e (pasme-se) decente.

PA disse...

Uma coisa é certa: "se vamos a levar as palavras de Cristo à risca, todos somos iguais perante Deus, todos falamos com ele e, como tal, a igreja de Deus não seria uma instituição mas sim algo que cada ser humano traria consigo" e de que - acrescento eu - da qual faço parte.

Quanto ao resto, já sabia que iria argumentar dessa forma, a forma mais fácil, a que enche mais os olhos...

Eu por mim, prefiro poder abraçar as mulheres que se encontram em becos sem saída e dizer-lhes ao ouvido que não as abandono seja qual for a sua decisão. Foi isto que me ensinaram. É isto que faz quem leva as palavras de Cristo no seu coração. Se procuro "impôr as minhas ideias ou vontade" é porque confio que esta ideia iria resolver muitos problemas, os piores problemas. Se acha que não, só lhe posso dizer para continuar o seu caminho. E se os nossos caminhos se cruzarem, também de certeza que caberá no meu abraço.

HF disse...

É muito natural que as opiniões, apesar de em certos aspectos serem muito parecidas, se dividam entre duas possíveis respostas.

Senhor David Carvalhão, vejo que a sua vivência e experiência pessoal, influenciadas pelo ambiente em que está inserido, o conduzem à tolerância por uma pessoa que comete (ou é obrigada a cometer) um acto que, para si, é no mínimo, desagradável. A tolerância leva-o a perceber que não se sente no direito de condenar seja quem for até porque esse acto já acarreta uma carga enorme para as pessoas envolvidas.
Esta é uma opinião que, muito sinceramente, respeito. Até porque, a minha vivência pessoal, baseada nas experiências (tanto de caracter social, profissional, religioso, etc.) também me faz pensar... "Quem sou eu para julgar ou condenar alguém por uma decisão tão difícil baseada em factos que a minha experiência ainda não me fez entender?" E é neste sentido que vou formando a minha opinião, tentando perceber o que poderá estar do outro lado que realmente possa levar a uma "cura" tão dramática.

Continuo sem resposta a estas e outras questões como por exemplo:
Não será essa "cura" muitas vezes pior que a "doença"?

São tantas as pessoas que se arrependem de terem cometido uma IVG. Muitas vezes levadas pelo peso da sociedade, e pela pressão de um momento de aflição em que muitas vezes nem é a razão que decide. E aquelas em que uma parte quer mesmo ter o bebé e a outra não exercendo até mesmo alguma pressão psicológica?
Estes e inúmeros outros casos, tanto de um lado como do outro, são realmente complicados. Mas cabe a cada um de nós, com a nossa tolerância, pelo menos tentar "ouvir" (neste caso ler) as opiniões contrárias de forma a sermos realmente coerentes com as palavras que escrevemos.

O que eu realmente não concordo é quando se argumenta a despenalização da IVG dizendo que um embrião humano com 10 semanas não tem significado nenhum, quando todos sabemos que isto não é verdade! Para quem tem dúvidas, pelo menos, tente informar-se.

Quanto ao facto do direito à vida ser para todos, também concordo plenamente, até porque ás vezes considero que a percepção da normalidade que nós, como sociedade, temos, está cada vez mais distorcida. Mas quanto a isto, penso que estamos todos de acordo.

Penso que de certa forma, a IVG é actualmente "liberalizada" atendendo à facilidade com que se pratica. Uma forma "simples" de acabar com os tão falados aproveitamentos passaria pelas autoridades fecharem as casas onde isso se faz à vista de quem realmente quer ver. Estas realmente põe em perigo a vida da mulher induzindo-as, muitas vezes, ao acto, como de uma coisa tão normal se tratasse.
Será que a vitória do "sim" iria acabar com isto? De certeza que irá criar melhores condições? Será que vai possibilitar verdadeiras alternativas às mães? Será que vai apenas permitir a despenalização das injustiças? (Se assim fosse, nunca iria considerar a vitória do "sim" como uma derrota)
Ou será que vai apenas fazer esquecer o problema? Fazendo com que se continue a praticar de forma cada vez mais frequente e nas mesmas condições actuais. Começo a pensar que será isto que vai acontecer pelo que tenho assistido até agora.

Continuo a achar que os esforços deveriam ser conduzidos no sentido da valorização da vida, tanto da mãe, como do pai e do bebé. Criando condições ao nível da sociedade para que não condene tão fortemente os descuidos que eventualmente acontecem, e criando estruturas que realmente prestem apoio aos que efectivamente não tem possibilidades de ter a criança (há tantos casais com o desejo da adopção, há tantos que não conseguem ter filhos, a nossa população está cada vez mais envelhecida, etc.). Há tantas pessoas que, na dúvida, optaram pela não IVG e hoje estão tão felizes por isso.
A lei actual já despenaliza uma grande parte dos casos, não seria possível, alterar a lei no sentido de prever esses casos de injustiça? Ou será que temos de ir sempre pelo caminho mais fácil despenalizando todos os casos e pronto?

Espero, com a minha opinião, deixar o meu contributo final para uma questão que considero bastante importante, tentando não ofender ninguém a quem este problema tenha tocado particularmente.

--
Henrique Fernandes

Anónimo disse...

Antes de mais quero dizer q apesar d ja ter passado por este blog logo q ele foi criado, ainda n tinha comentado esta kestao 1 vez q a minha opiniao apesar d ser nada clara e por não ser nada difusa me impede de escolher o SIM ou o Não como explicarei adiante porque.

Depois de ler os varios comentarios, a percepção com q fico e q as pessoas nao sabem o verdadeiro significado das palavras q utilizam já liberdade segundo SPINOZA é "A deliberação, está então conduzida pelo envolvente humano, no qual se inserem as leis físicas e químicas, biológicas e psicológicas. Caso contrário passa a chamar-se libertinagem. Associada à liberdade, está também a noção de responsabilidade, já que o acto de ser livre implica assumir o conjunto dos nossos actos e saber responder por eles.", ou seja, uma mãe com 1 ser vivo no seu ventre tem tanto direito a abortar como de espancar a o mesmo após o seu nascimento, efectivamente como educador/tutor é responsável pelo ser mas não seu dono, logo o seu domínio é tutelado e condicionado pelas leis da sociedade onde vive e se rege. Se não viviamos numa sociedade sem limites...

Quanto à tolerância evocada, não nos podemos autodenominar como altamente tolerantes e evocar que umas opiniões são perfeitamente lógicas e dotadas de tenacidade, enquanto outras opiniões apenas pretendem "criar" criminosos, isto é altamente intolerante!

Quanto à minha opinião propriamente dita deixem-me que diga que pessoalmente acho que, o que está efectivamente em causa são questões de valores éticos profundos do foro pessoal mais até do que a própria discussão da existência de vida ou não e por isso é q a Andreia refere na sua opinião 2 agentes distintos nesta questão, a sua opiniãon juntamente com a fé propriamente dita e a constituição portuguesa, com as quais de resto concordo. Isto porque penso q a lei já contempla as situações que por uma questão de ética põe em causa a concepção de um filho, como a vontade em se ter praticado o acto sexual que o antecede, independentemente de nesta altura quem defende o sim dizer e com razão que se existe uma vida como o não defende desde a concepção do feto, aqui também, a questão é que 1 dos intervenientes não está racionalmente consciente do acto uma vez que está a ser obrigado.
Assim como nas complicações registadas para o feto ou para a mãe, a decisão de não abortar deve ser um acto racionalmente consciente e assim decidido única e exclusivamente pelo interveniente q sofrerá as respectivas consequências físicas.

Por tudo isto a minha resposta ao aborto é não, MAS, também não sou a favor da penalização da forma como ela é feita, primeiro porque para se fazer um filho são precisas 2 pessoas (homem e mulher para os mais distraídos) e não me lembro de algum "pai" ir parar à barra do tribunal, podendo inclusive num caso extremo a mulher deturpar/não saber o nome do pai do aborto literal. Além disso o acto do aborto em si já é uma pena demasiado pesada para a mulher que nalgumas circunstâncias foi premeditado pelo "abandono" do pai do aborto ou até, por pressões da família ou outros membros da sociedade, logo não consigo tomar 1 partido quanto a esta questão.

Resumindo:

Aborto: NÃO
Despenalização do Aborto: não sei

Tenho dito.

nUNO

Anónimo disse...

Parabéns Tiago pela tua iniciativa!! Estas a conseguir alargar os horizontes deste enorme e complexo tema que é o aborto!! E eu, apesar digamos assim da minha ingenuidade sobre este assunto ainda muito confuso para mim, estou a gostar de ler as diversas opiniões que este assunto traz e estou a tentar construir uma resposta valida e coerente!! Acho que no final tudo vai dar ao mesmo e aí é que esta o problema: é uma vida de que se trata... pura e simplesmente é esta a verdade!!! Quanto á minha opinião, se é do Sim ou Não, ainda vais ter que aguardar pois tanto tenho razões para dizer Sim como tenho para dizer Não!!!
Sou uma rapariga complicada=P!!!
Mais uma vez.. esta espectacular!!!
Jokitas

Anónimo disse...

Nem mais sr. Fábio Ferreira.

Quem fala assim não é gago!
Não acrescento nem uma virgula...

Assino por baixo,

Joana Sousa

Anónimo disse...

Olá!...

Antes de mais quero dar os meus parabens ao dr.Tiago da Mota pelo seu blog, que não só está bem estruturado, como também muito interessante.
Por todas as razões e mais algumas espero que seja muito visitado porque os temas que trata são bastante sólidos!.....
Sem me alongar mais fica a promessa que sempre que de disponiblidade também o visitarei.......

UM GRANDE ABRAÇO


JOÂO CARLOS "keeper"

"a VACA voadora "

Anónimo disse...

torby skórzane
to torebki kazar , torby listonoszki , kazar sklep internetowy . torebki m³odzie¿owe , kazar torebki ?