segunda-feira, fevereiro 12, 2007


Prezados Portugueses,

no passado dia 11 de Fevereiro de 2007, realizou-se o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.

Não cabendo no âmbito do Blog emitir os meus pareceres pessoais, decidi escrever também eu um post neste tema que a todos diz respeito e sobre o qual nos foi colocado o direito/dever do exercício da nossa cidadania democrática.

À pergunta: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

Votei Não.

Perante a percentagem de participação de 43,61% a votação deu claramente a vitória ao SIM com 59,25% contra os 40,75% do NÃO.
Tendo havido uma taxa de abstenção superior a 50% (56,39%), este referendo não é, do ponto de vista Constitucional, vinculativo. No entanto, há que relembrar que o governo tem capacidade legislativa e como tal, poderá optar por alterar mesmo assim a actual lei em vigor. (Nota: haverá, seguido aos próximos desenvolvimentos, um Post dedicado apenas a esta matéria)

Mais do que jurídica, política ou religiosa, esta foi uma decisão de cariz pessoal, moral e conscienciosa.
Demos no meu entendimento, enquanto povo, mais um passo atrás na nossa diferenciação cultural positiva, na nossa autonomia moral e instrutória perante o Mundo, que nos nossos saudosos tempos de conquistadores nos caracterizaram.
Nós que fomos exemplo na abolição da pena de morte, liberalizamos agora a interrupção voluntária da gravidez, a reboque de outras culturas, rumo à crescente desresponsabilização moral e social que caracteriza cada vez mais uma sociedade egoísta, de olhar autista para o próprio umbigo, sem capacidade para lutar, fazer frente aos obstáculos que a vida, pródiga em imprevistos, nos encarrega de colocar no caminho.
Criamos com decisões como esta, a ideia errónea e perigosa que a vida é um mar de rosas com alguns espinhos, quando na realidade é um mar de espinhos com algumas rosas. E então? Desiste-se à primeira dificuldade que a vida nos exibe? NÃO. Há que com coragem, personalidade, responsabilidade e… porque não FÉ e AMOR, enfrentar as dificuldades SEMPRE, com a certeza que se vence SEMPRE, que se ultrapassa qualquer obstáculo SEMPRE… “pois o sonho comanda a VIDA”.

Só assim crescemos.

O Caminho poderá ser uma maratona, poderá demorar anos a dar certo, mas no fim…meus amigos…no fim houve TODA UMA VIDA DE AFECTOS.

E OS AFECTOS SÃO A ÚNICA COISA DE ETERNA NUMA VIDA EFÉMERA.

Tiago da Mota

1 comentário:

Anónimo disse...

Embora o resultado do referendo já fosse praticamente esperado, infelizmente, não deixo de sentir alguma tristeza pois partilho da mesma opinião que tu. A pergunta que faço é E AGORA? Apesar de do SIM ter ganho NÓS, pessoas defensoras da VIDA, não podemos ficar de braços cruzados, devemos agir, isto é, sempre que tivermos conhecimento de que uma pessoa, nossa conhecida ou não, está para fazer um aborto devemos a todo o custo demove-la dessa ideia, é difícil eu sei, mas com confiança talvez consigamos.
A vida é como um caminho cheio de altos e baixos, pois se fosse uma recta talvez não dariamos tanto valor e tanta importância como lhe damos, era demasiadamente fácil percorre-la. Os desafios tornam-na mais interessante!

Beijinhos!

:)